Tecnologia permite confecção mais rápida e precisa de placas usadas contra bruxismo

Tecnologia permite confecção mais rápida e precisa de placas usadas contra bruxismo

As chamadas placas oclusais são usadas por pacientes com a doença, que provoca o ranger ou apertar dos dentes durante o sono

Por Antonio Carlos Quinto

Pacientes com bruxismo atendidos na Faculdade de Odontologia (FO) da USP já têm acesso a um tratamento mais preciso, por meio de um software específico que vem sendo desenvolvido no Centro de Recursos de Aprendizagem e Investigação (CRAI) da FO. Em sua tese de doutorado na FO, a pesquisadora Mayra Torres Vasques desenvolveu placas oclusais mais precisas para serem usadas por pacientes que têm bruxismo, doença que se caracteriza por provocar o ranger ou apertar dos dentes durante o sono.

Normalmente, as placas oclusivas são feitas a partir de moldes da boca do paciente, obtidos pelo dentista. “A partir disso, as placas são moldadas e, normalmente, necessitam de muitos ajustes, mesmo depois de o paciente já utilizar”, descreve Mayra.

As placas oclusais são dispositivos removíveis, usualmente confeccionados em resina acrílica, e colocados sobre as arcadas superiores e inferiores, criando um contato com os dentes, podendo ser usadas durante o dia e/ou à noite, dependendo do caso.

Em um estudo clínico onde acompanhou pacientes com bruxismo atendidos na FO, a pesquisadora se utilizou da tecnologia do CRAI com um software específico e impressoras 3D. “O uso da tecnologia 3D na odontologia, aqui no Brasil, ainda é difícil porque 90% dos materiais são importados”, destaca Mayra. Mesmo assim, em sua pesquisa, ela conseguiu desenvolver uma placa oclusal, destinada a pacientes acometidos por bruxismo, com ajustes mais precisos.


Mayra Torres Vasques no CRAI: O uso da tecnologia 3D na odontologia, aqui no Brasil, ainda é difícil porque 90% dos materiais são importados – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

Na forma convencional de construção de próteses oclusais, o cirurgião dentista produz um molde da boca do paciente e encaminha as medidas a um protético, que confeccionará a prótese oclusal. “Por ser um material de uso individual, a prótese passará por ajustes, o que significa diversas idas e vindas ao dentista, até que o ajuste esteja confortável”, descreve Mayra. Além disso, todas as informações referentes às medidas utilizadas acabam por se perder, segundo explica a pesquisadora.

Utilizando os recursos disponíveis do CRAI, Mayra estudou a interação das diversas dúvidas em relação a estudos que envolvem a construção de próteses oclusais e engenharia de materiais, a pesquisadora chegou a tecnologias que permitiram ajustes feitos diretamente no computador e transportados para as impressoras 3D. “Isso não significa que o protético será, a partir da técnica, dispensável. Mas trata-se de uma ferramenta a mais que irá facilitar o trabalho dos dois profissionais”, garante Mayra.

Melhores ajustes
Com o uso dos computadores e das impressoras 3D da FO, aliando tecnologias do Departamento de Mecatrônica da Poli, Mayra conseguiu elaborar placas oclusais que dispensaram maiores ajustes. “Todas foram previamente ajustadas já no computador, o que proporcionou mais precisão”, conta.

Utilizando um scanner com uma câmera intraoral na boca do paciente o dentista obtém informações mais precisas e que são inseridas no software. E todo esse processo, segundo a pesquisadora, dura cerca de 10 minutos. “Em seguida, o próprio computador produz o desenho da placa oclusal, que é confeccionada com resina polimerizada a partir de processos químicos”, explica Mayra.

Usando todo esse processo, a pesquisadora acompanhou 20 pacientes atendidos na FO desde a confecção das próteses até a utilização. Todo o trabalho, iniciado em 2015 e concluído em 2018, resultou na tese de doutorado Desenvolvimento de uma técnica de desenho digital e impressão em 3D de placas oclusais e sua aplicabilidade no tratamento de pacientes com disfunção temporomandibular, que teve a orientação da professora Dalva Cruz Lagana, da FO.

Mais informações: e-mail mtvasques@usp.br, com Mayra Torres Vasques

Fonte: Jornal USP

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