Editorial – Full Dentistry in Science – Edição 40

Consenso da Reunião do Northern Lights de 2018

Dayane Oliveira¹,²
Mateus Rocha¹,²
Marcelo Giannini²
Richard Price³

Nos dias 30 e 31 de julho de 2018, o grupo de líderes de opinião do Northern Lights se reuniu em Oslo, na Noruega (Figura 1), e um dos tópicos discutidos foi a transmissão de luz através de materiais restauradores indiretos. Os participantes chegaram ao seguinte consenso sobre a transmissão de luz através de materiais restauradores indiretos:
a) Há uma diminuição exponencial na quantidade de luz que chega até a parte de baixo ou do fundo da restauração à medida que a espessura da restauração aumenta;
b) Existem diferenças consideráveis na quantidade de luz que é transmitida através dos vários tipos e cores de materiais restauradores;
c) Os comprimentos de onda mais curtos (violeta, ~ 410 nm) não passam através dos materiais restauradores da mesma forma que os comprimentos de onda mais longos (azul, ~ 460 nm);
d) Estudos futuros devem considerar a reflexão, refração e absorção externa e interna devido à variação no acabamento superficial e ao ângulo de incidência da luz.

Na reunião, foi acordado que, ao se cimentar restaurações indiretas, os dentistas devem:
• Utilizar as combinações de adesivos e cimentos recomendadas pelos fabricantes, principalmente ao utilizar adesivos universais autocondicionantes junto com cimentos resinosos de “cura dual”;
• Reconhecer que as resinas que são exclusivamente fotopolimerizáveis devem receber luz suficiente, verificar se a espessura da restauração está dentro das indicações de uso do fabricante do cimento;
• Reconhecer que a maioria das resinas de “cura dual” possuem melhores resultados quando recebem exposição à luz;
• Reconhecer que dobrar o tempo de exposição não compensará a redução da luz transmitida se a espessura do material restaurador for maior (por exemplo, de 1,0 para 2,0 mm);
• Utilizar cimentos resinosos “autopolimerizáveis” ou “de cura química” que não necessitem de exposição de luz quando estiverem preocupados se haverá luz suficiente para a polimerização do cimento resinoso.

Outro tópico discutido foi o significado de um termo cada vez mais utilizado e popular na Odontologia Restauradora: “bioatividade”. Os participantes chegaram ao seguinte consenso sobre a utilização do termo “bioatividade” para descrever um material restaurador:

A “bioatividade” de um material restaurador deve descrever um processo biológico benéfico ativo. Sugere-se que os materiais restauradores possam ser chamados de “bioativos” se, além de sua função primária de restaurar ou substituir a estrutura dentária perdida, estimularem e/ou direcionarem ativamente respostas celulares ou teciduais específicas, ou controlarem interações com espécies microbiológicas. Tais efeitos devendo ser caracterizados pelo campo de aplicação, o tipo de efeito e como o efeito foi comprovado cientificamente.

O termo “bioativo” também pode ser encontrado em um sentido mais amplo para descrever materiais restauradores que possuem um ou mais dos seguintes:

• Função de estimular a formação de tecido reparador;
• Componente(s) que se dissolva(m) e possa(m) ser identificado(s) por espécies fisiológicas normais envolvidas em um processo biológico;
• Componente(s) que se dissolva(m) e possua(m) atividade antimicrobiana (incluindo materiais de pH alto);
• Superfície propícia à fixação celular;
• Superfície que possa nuclear a formação de fosfatos de cálcio similares ao biológico, incluindo materiais semelhantes à bioapatita, quando em contato com a saliva ou fluidos teciduais;
• Componente(s) que se dissolva(m) e cause(m) a precipitação local de fosfatos de cálcio similares ao biológico, incluindo materiais semelhantes à bioapatita, em um processo químico puramente passivo.

Na reunião do Northern Lights de 2018, os seguintes líderes de opinião estavam presentes para discussão e definição do consenso aqui apresentado:

Manon Agrissais, Maan M. Al Shaafi, Sibel Antonson, Steve Armstrong, Oliver Benz, Uwe Blunck, Thorsten Bock, Ellen Bruzell, John Burgess, Ray Cahill, Liang Chen, Hooi Pin Chew, Larry Clark, Jon E. Dahl, Brian Darvell, Paul Farrar, Jack Ferracane, Alex Fok, Futoshi Fusejima, Benjamin Gebhardt, Marcelo Gianinni, Klaus Peter Hoffmann, Reinhard Hickel, Thomas Hill, Keisuke Ikushima, Nicoleta Ilie, Hilde Kopperud, Nate Lawson, Julian Leprince, Hui Lu, Jean Madden, Vesna Miletic, Michael Miller, Dayane Oliveira, Frank Pfefferkorn, Carmem Pfeifer, Jeffrey Platt, Sven Pohle, Richard Price, Mateus G. Rocha, Jean-François Roulet, Andreas Schedle, Gottfried Schmalz, Santino Schreiner, Miryam Schuckar, Janine Schweppe, Jeffrey Stansbury, Frode Staxrud, Simon Sutter, Eija Säilynoja, Arzu Tezvergil-Mutluay, Andreas Utterodt, Bart Van Meerbeek, Thomas Völkel e David Watts.

¹ College of Dentistry – University of Florida (UFCD), Gainesville, FL, Estados Unidos.
² Faculdade de Odontologia de Piracicaba – UNICAMP.
³ College of Dentistry – Dalhousie University, Halifax, Nova Scotia, Canadá.