Plscience: Editorial

 
Editorial Prosthesis Laboratory in Science - Edição 24
 
Para pensar – debate sobre a “aposentadoria” do forno de fundição versus o investimento em sistemas cad/cam
 
Inicialmente, as cerâmicas odontológicas eram indicadas apenas para o recobrimento da face vestibular de coroas, denominadas na época de “coroas de jaqueta”1. Em 1950, a adição de leucita na composição das cerâmicas odontológicas e a sua fusão com uma infraestrutura de certas ligas metálicas possibilitou a ampliação da sua indicação para confecção de coroas totais e próteses parciais fixas metalocerâmicas4.
Em 1965, surgiram as primeiras cerâmicas livres de metal, como do inglês metal free, sendo que a primeira restauração livre de metal realizada no CAD/CAM foi em 1985. Entretanto comas cerâmicas e a tecnologia CAD/CAM dessa época, 36% das restaurações falhavam em menos de 2anos, o que fez com que as restaurações metalocerâmicas permanecessem como o padrão-ouro das restaurações indiretas2.
Mas com o passar dos anos, as cerâmicas assim como o sistema CAD/CAM foram aperfeiçoados, e atualmente as restaurações metalocerâmicas e cerâmicas livres de metal apresentam o mesmo desempenho clínico, em 5 anos, aproximadamente 95.7% das restaurações metalocerâmicas e 96.6% das restaurações cerâmicas livres de metal ainda se encontram em perfeitas condições3.
Atualmente, as cerâmicas livres de metal mais utilizadas na prática odontológica são o dissilicato de lítio e a zircônia (Y-TZP). O dissilicato de lítio ficou mundialmente conhecido pelo primeiro sistema comercialmente disponibilizado no mercado, o e.max (Ivoclar Vivadent), com apresentações do tipo prensável (press) ou CAD/CAM. Já a zircônia se apresenta apenas no sistema CAD/CAM, porém com diversas marcas bastante consagradas na odontologia mundial.
O panorama da demanda de restaurações livres de metal produzidas em um laboratório de prótese dentária demonstra que as restaurações cerâmicas livres de metal só tendem a crescer nos próximos anos. O Gráfico 1 ilustra que a demanda por peças protéticas livres de metal já era bastante elevada (65%) em comparação com a demanda por peças metalocerâmicas (35%), desde 2014. Em 2017, essa disparidade chegou a uma demanda de 80% por peças protéticas livres de metal contra apenas 20% por peças metalocerâmicas. Dentre as peças protéticas livres de metal, o Gráfico 2 demonstra que entre 2014 e 2016 havia uma maior demanda pelo dissilicato de lítio (60-65%) em comparação à zircônia (35-40%). Já em 2017, a demanda pelos dois tipos de cerâmicas livres de metal equiparou-se (50%/50%). Atualmente, a opção por dissilicato de lítio e zircônia vem sendo baseada principalmente na necessidade estética de cada caso clínico. Entretanto com o desenvolvimento e comercialização das zircônias de alta translucidez agora no início de 2017, pode prever-se que nos próximos anos pode haver um aumento na demanda de peças de zircônia em relação ao dissilicato de lítio e uma redução ainda maior na demanda de peças metalocerâmicas.
Os dados sugerem que as cerâmicas livres de metal vêm sendo cada vez mais aceitas pelos cirurgiões-dentistas e pacientes e, provavelmente, haverá cada vez mais uma redução da demanda pelas metalocerâmicas, fazendo com o que os laboratórios de prótese dental praticamente diminuam o espaço dedicado à fundição de infraestruturas de metal para metalocerâmicas e aumentem a logística para maior produtividade de peças totalmente cerâmicas, utilizando principalmente a tecnologia CAD/CAM.
 
 
Agradecimentos
Agradecemos ao Laboratório de Prótese Dentária Donato (Piracicaba, SP) e aos responsáveis Carlos Alberto Donato e Erica Nasato pelos dados e apoio.
 
Referências
1. Kelly JR, Nishimura I, Campbell SD. Ceramics in dentistry: historical roots and current perspectives. J. prosthet, dent. 1996;75(1):18-32.
2. Li RW, Chow TW, Matinlinna JP. Ceramic dental biomaterials and CAD/CAM technology: state of the art, J. prosthodont. res.2014; 58(4):208-16.
3. Sailer I, Makarov NA, Thoma DS, Zwahlen M, Pjetursson BE. All-ceramic or metal-ceramic tooth-supported fixed dental prostheses (FDPs)? A systematic review of the survival and complication rates. Part I: Single crowns (SCs), Dent. mater. 2015; 31(6):603-23.
4. Zarone F, Russo S, Sorrentino R. From porcelain-fused-to-metal to zirconia: clinical and experimental considerations, Dent. mater.2011; 27(1):83-96.
 
Dayane Carvalho Ramos Salles de Oliveira
Escritora da Coluna Fique por Dentro 
Professora Colaboradora de Materiais Dentários – FOP-UNICAMP

 

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