Plscience: Editorial

 
Editorial Prosthesis and Esthetics in Science - Edição 27
 
Plano de voo
 
Olá, caros colegas! Quando fui convidado a escrever esse editorial, fiquei muito feliz, porém preocupado com qual assunto abordar dentro da Odontologia. Resolvi, então, deixar fluírem meus pensamentos e permitir que a emoção escrevesse por mim.
 
Pensei, principalmente, nos novos profissionais, que estão entrando no mercado de trabalho agora e têm um anseio enorme de atingir realização e sucesso, embora este texto sirva também para os que já estão trabalhando há algum tempo e precisam fazer uma reflexão sobre sua trajetória profissional.
 
Converso sempre com meus alunos de pós-graduação, fazendo uma analogia de nossa vida profissional com um voo de avião cargueiro, que é grande e pesado, necessitando de muita força e perícia para a decolagem. Da mesma forma deve acontecer com o dentista que acaba de se formar, que precisará trabalhar arduamente, sempre respaldado em ética e na busca de uma Odontologia de excelência, não se preocupando apenas com a lucratividade (é claro que todos querem e precisam ganhar dinheiro, mas esse não pode ser o objetivo principal e, sim, a consequência certa). Tendo conseguido decolar e atingindo o voo de cruzeiro, é o momento de desfrutar das conquistas e aproveitar, organizando seu tempo para curtir mais a família, permitir-se ter um hobby, preenchendo os momentos livres com coisas prazerosas e cuidados consigo mesmo. Dá até para ligar o piloto automático um pouquinho, mas nunca descuidando do avião e da enorme responsabilidade por sua condução. Deve-se chegar ao destino, com o mínimo de estresse e de turbulências, com todos os passageiros satisfeitos (de preferência), não se desviando do plano de voo. O profissional nunca poderá ficar acomodado, achando que já sabe tudo. Deve sempre investir em sua carreira, reciclando-se constantemente, sempre atento às evidências científicas atuais e tecnologias. Mas tudo com leveza, como um voo de cruzeiro pede. Por último, o que considero mais difícil: O POUSO. Quando parar? Quando ter certeza de que já chegou ao seu destino? No seu plano de voo, quais eram suas metas pessoais e profissionais? Conseguiu atingi-las? Uma coisa é certa: o pouso precisa ser suave, seguro e no local certo. Uma vez em solo, deverá ser possível olhar para trás e ter orgulho do belo percurso realizado. O profissional poderá considerar-se aposentado de seu trabalho, tendo ainda muita saúde, disposição e tranquilidade para viver sua vida.
 
Considero a Odontologia uma das profissões mais belas, pelo seu caráter artesanal e multifuncional, sendo, no entanto, um ofício muito intenso e cansativo física e mentalmente. Precisamos ser tecnicamente hábeis, ter conhecimentos científicos, clínicos, administrativos, financeiros, comerciais, psicológicos, entre outros. Por isso é preciso ser apaixonado pela profissão, para conseguir absorver tudo isso com serenidade e competência, conseguindo trabalhar duro sem que isso pareça um fardo e jamais se esquecendo de manter a ética profissional e fazer jus a cada palavra proferida no juramento da colação de grau. Tenham sempre em mente: dentista que não é apaixonado, não consegue ir muito longe, não consegue pilotar um cargueiro.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. Dr. Cássio de Barros Pontes
Mestre e Doutor em Reabilitação Oral – FORP/USP.

 

EDITORA PLENA