Orthoscience: Editorial

Editoriais Orthodontic Science and Practice - Edição 42

 

Pacientes e ortodontistas satisfeitos!
 
Em um mercado de trabalho competitivo, como vivemos atualmente, captar pacientes é uma tarefa cada vez mais difícil. Também é fato, considerando o crescimento do conceito de clínicas multidisciplinares, que a principal fonte de indicações de novos pacientes para o tratamento ortodôntico é o próprio paciente.
 
Para sermos merecedores da confiança de nossos pacientes em suas indicações é necessário conhecer melhor suas motivações e quais fatores estão relacionados com sua satisfação ou insatisfação com o tratamento ortodôntico.
 
Em uma pesquisa recente1, os principais fatores associados com a satisfação dos pacientes e pais de pacientes em relação ao tratamento ortodôntico foram: percepção de estética agradável, percepção de benefícios psicológicos, alterações positivas na personalidade, relacionamento paciente x profissional e qualidade da atenção do profissional.
 
Interessante notar que, do ponto de vista dos pacientes, estética e qualidade de vida parecem ser os objetivos principais do tratamento ortodôntico. Seria possível considerar que um bom alinhamento dentário em uma face agradável, com uma melhora perceptível na autoestima, é a base da satisfação dos pacientes com o tratamento ortodôntico. Ainda interessante destacar que um bom relacionamento e a qualidade da atenção dedicada são o pano de fundo para tocarmos os corações de nossos pacientes. Por outro lado, destaca-se que a qualidade da relação oclusal ou funcional não foram citadas como quesitos importantes na satisfação com o tratamento ortodôntico. Os principais motivos de insatisfação apontados foram: tempo de tratamento excessivo, experiência com dor e desconforto e uso de contenção.
 
Diante dessas constatações, qual deve ser a posição do ortodontista? Qual deve ser nosso foco? Essa, na verdade, é uma boa reflexão para os dias atuais. É muito comum nos deparamos com colegas preocupados com tratamentos meramente estéticos, investindo recursos e tempo, seja na infraestrutura de suas clínicas ou em redes sociais, para melhorar a relação com os pacientes, esquecendo-se do mais básico em nossa especialidade que é a reabilitação oclusal e funcional. O desejo apenas de agradar aos pacientes em tratamentos com demandas específicas e a interpretação incorreta do conceito de que má oclusão não é doença tem levado a alguns exageros nesse sentido.
 
Também creio que não seja razoável nos mantermos presos apenas aos princípios tradicionais do tratamento ortodôntico sem levar em conta os anseios e necessidades de nossos pacientes, bem como as tendências atuais.
 
Acredito que o ortodontista comprometido com a especialidade deva procurar elevar o nível de satisfação de seus pacientes, mas sem deixar de se comprometer com o que a Ortodontia tem de melhor. Se a estética e o relacionamento são importantes para os pacientes, também não podemos nos esquecer de que o equilíbrio oclusal e funcional são igualmentes importantes no tratamento ortodôntico.
 
Esse, em minha opinião, é o grande desafio da Ortodontia atualmente. Afinal, o paciente satisfeito hoje pode ser o insatisfeito de amanhã ao descobrir que, ao surgirem as demandas funcionais, o tratamento não foi realizado com a qualidade esperada e que não passou apenas de um relacionamento agradável com o ortodontista. Por isso, é importante sempre manter um olho no paciente e outro no tratamento.
 
Boa leitura!
 
1. Pachêco-Pereira C, Pereira JR, Dick BD, Perez A, Flores-Mir C. Factors associated with patient and parent satisfaction
after orthodontic treatment: a systematic review. Am. j. orthod. dentofacial orthop. 2015; 148(4):652-9.

 

Dr. Ricardo Moresca 
Diretor Científico
 
 
Para onde caminha a Ortodontia em 2018?
 
Nos últimos sete anos, fiz essa mesma pergunta nesta coluna e respondi baseado na programação científica dos congressos da Associação Americana de Ortodontia (AAO), que aconteceram em Chicago, Honolulu, Filadélfia, New Orleans, San Francisco, Orlando e San Diego.
 
Vamos repeti-la agora com a programação do congresso de 2018, que aconteceu em maio em Washington. O tema do congresso neste ano foi “Um destino Capital. Uma Experiência Monumental”. Conhecida por suas paisagens e atrações icônicas e repletas de história, a cultural Washington, D.C. possui diversos tesouros artísticos e arquitetônicos, que valem a pena uma visita.
 
A ideia dos organizadores foi oferecer uma programação rica em informações para alunos de pós-graduação, recém-formados e clínicos já estabelecidos. As apresentações foram mais curtas para englobar um maior número de palestrantes. As conferências duraram em média 45 minutos. Cerca de 150 profissionais do mundo todo participaram como palestrantes.
 
Após avaliar os 4 dias de programação, dividi as apresentações em 35 assuntos diferentes. Os que mais foram abordados e o seu número de apresentações foram: Administração do consultório com 11 apresentações, Aceleração do movimento dentário com 9, Tratamento precoce com 7, Estética facial com 6, Tratamento com alinhadores com 6, DTM com 6 e Tratamento da Classe II com 6.
 
Poucas palestras aconteceram sobre Bráquetes autoligáveis, Genética, Agenesia de laterais, Anquilose, Reabsorção radicular, Sorriso gengival e Dentes impactados, com apenas uma apresentação para cada tema.
 
Um novo tema que chamou a atenção foi o envelhecimento facial com 3 apresentações.
 
O número de palestrantes brasileiros diminuiu. Passamos de 13 no ano passado para 8 neste ano. Nossos representantes foram: Lucia Cevidanes, Eustáquio Araujo, Martin Palomo, José Nelson Mucha, Roberto Lima Filho, Flavia Artese, José Bosio e Roberto Brandão.
 
Um dos destaques do evento foi a apresentação do Prof. Bjorn Zachrisson. Aposentado das palestras, ele voltou ao congresso da AAO para receber o prêmio Edward H. Angle Award Lecture, no qual fez uma retrospectiva dos seus vários estudos publicados ao longo de sua carreira. Quando chegou à parte dos agradecimentos finais, a emoção tomou conta, e o professor com a voz embargada não conseguiu finalizar a apresentação. Ao perceber a situação, a plateia de mais de 1500 pessoas levantou-se e aplaudiu de pé por vários minutos esse ícone da Ortodontia, provavelmente, em sua última grande aparição pública.
 
E quais são as conclusões após essa avaliação do evento?
 
O Ortodontista americano está muito preocupado com a administração do consultório, que na verdade é uma empresa e deve dar lucro. O tempo de tratamento é muito importante e se busca a sua diminuição. Apesar de estar ligado à ciência, esse tópico está relacionado com a administração do consultório também. No sistema de trabalho americano (com preço do tratamento fechado), tratamentos longos dão prejuízo. Os alinhadores estão conquistando cada vez mais espaço. Como já se tem visto há alguns anos, os bráquetes autoligáveis não mais despertam discussão.
 
Chamou a atenção o grande número de empresas na feira comercial expondo programas computadorizados para setups digitais, visando à confecção de alinhadores, e também empresas comercializando impressoras 3D e escâneres intrabucais. As empresas estão apostando que o ortodontista vai ter seu próprio laboratório digital “in-office”.
 
Além disso, várias empresas tradicionais na Ortodontia estão lançando sistemas de alinhadores, como a 3M. Realmente, a viagem ao mundo dos alinhadores removíveis não tem volta.
 
 
Prof. Dr. Alexandre Moro
Editor Científico Adjunto

 

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