Orthoscience: Editorial

Editoriais Orthodontic Science and Practice - Edição 45

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Viva a vida real!
 
Que as redes sociais caíram no gosto dos brasileiros não é novidade. Os números que avaliaram o padrão de uso da internet e das redes sociais no Brasil em 2017 são impressionantes. De acordo com o estudo promovido pela agência We Are Social e a plataforma HootSuite, 62% da nossa população, ou seja, 130 milhões de brasileiros, estão conectados através das redes sociais. Desses, 120 milhões realizam o acesso através de seus celulares. Esse número representa 57% do total da população brasileira.
 
Passamos, em média, 3 horas e 39 minutos, todos os dias, nas redes sociais. Em abril de 2018, o Facebook, que é a maior rede social do mundo, chegou a 127 milhões de usuários no Brasil. Desse total, 67% acessam a rede todos os dias.
 
Diante desses números não resta dúvidas de que as redes sociais têm influenciado a forma com que nos relacionamos, nos expressamos e nos informamos.
 
O principal motivo para as pessoas utilizarem as redes sociais é aumentar a visibilidade online, seguida pela interação com o público. Outro dado interessante foi observado na pesquisa realizada pela consultoria Opinion Box, que concluiu que 75% dos entrevistados acreditam que as pessoas mostram nas redes sociais uma vida melhor do que elas realmente têm. Por outro lado, 65% acreditam ser a mesma pessoa na internet e na vida real e 26% admitem que são diferentes.
 
Bem, acho essa questão é bem mais profunda e que na verdade diz respeito a vários aspectos do ser humano. Mas gostaria de analisar essa informação sobre o ponto de vista profissional da Ortodontia.
 
Muitas vezes tenho a impressão que a minha realidade é totalmente diferente dos ortodontistas das redes sociais. Confesso que às vezes fico preocupado pensando em meus problemas. Será que apenas eu tenho dificuldades em finalizar meus casos? Será que apenas a minha clínica tem problemas? Será que apenas meus planejamentos falham? Será que apenas os meus mini-implantes perdem estabilidade? Certamente não, já que estes são problemas comuns do dia a dia do ortodontista. Onde está o problema então? O fato é que, de acordo com o novo padrão de comportamento que as redes sociais estão nos impondo, precisamos estar sempre convencendo as pessoas que somos felizes e profissionalmente bem-sucedidos. Não há lugar para a frustração.
 
No entanto, não há nada mais humano do que o erro. Comento sempre em minhas aulas e conferências que, apesar de não desejarmos errar, nossos erros são nossos melhores mestres. Aprendemos e evoluímos pessoal e profissionalmente com nossos fracassos.
 
O importante é termos um bom filtro em nossas mentes. Aproveitar o que existe de bom nas redes sociais e nunca nos esquecermos que a vida acontece na “vida real” com erros e acertos, sucessos e fracassos. Na verdade, é isso que nos faz humanos. É isso que nos faz reais.
 
Boa leitura.
 
Dr. Ricardo Moresca
Diretor Científico
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Ortodontia a longo prazo
 
Há alguns anos, minha amiga Lucia Cevidanes, professora da Universidade de Michigan, tentou me ensinar a utilizar alguns programas para fazer a sobreposição de tomografias em 3D. Devido à grande dificuldade (cada paciente precisava de um dia na frente do computador para fazer a avaliação) e as centenas de passos necessários em cada exame, eu acabei desistindo e falei para ela que eu estava velho para aprender aquilo. No final, duas alunas do Mestrado da Universidade Positivo acabaram indo para Michigan para aprender a fazer as sobreposições.
 
Infelizmente para os mais velhos e felizmente para os mais novos, a Ortodontia está trilhando um caminho em direção aos softwares 3D e esse caminho não tem mais volta. Cada vez mais vamos ter que aprender a utilizar programas como ClinCheck Pro, Elemetrix, Ortho Analyser, Maestro 3D, Invivo, Dolphin, entre muitos outros. E esse aprendizado necessita de tempo, de paciência e de muita boa vontade.
 
A Ortodontia é uma grande especialidade e permite que possamos trabalhar em alto nível até os 80 anos. Como exemplo, vou citar três professores: João Maria Baptista, Flávio Vellini Ferreira e Renato Rodrigues de Almeida. Qual a especialidade que permite que a pessoa continue trabalhando, aprendendo e compartilhando nessa idade, ao mesmo tempo que pode equilibrar o seu tempo com a família, amigos e colegas?
 
A parte básica da Ortodontia, como o crescimento, cooperação dos pacientes, hábitos, se mantém a mesma por muitos anos. Entretanto, outras disciplinas têm evoluído muito e nos obrigam a ter um aprendizado contínuo.
 
É óbvio que com uma idade mais avançada as pessoas tendem a diminuir o seu ritmo, entretanto, se elas não estiverem abertas a novas ideias, rapidamente vão se transformar num dinossauro, não apenas antigo, mas também irrelevante.
 
Na atualidade há muitas formas de se manter atualizado. Antes as fontes de informação eram limitadas. Hoje, são quase que infinitas. Você pode participar de grupos de discussão online, ver vídeos e/ou aulas em várias plataformas da internet e por aí vai. Só não se atualiza hoje quem realmente não deseja.
 
Não raro, hoje vemos pessoas novas com cabeça de velho, pois não querem sair da sua zona de conforto. Entretanto, se elas demorarem muito para despertar dessa inércia, pode ser tarde, e aí não haverá mais tempo para acompanhar as pessoas com cabeças novas.
 
Portanto, o segredo para uma vida longa na Ortodontia é manter a mente aberta e jovial para continuar aprendendo sempre. Eu estou mudando a minha, e você?
 
Prof. Dr. Alexandre Moro
Editor Científico Adjunto
 
 
Editorial - Caderno Digital Dentistry in Science
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A Odontologia está se transformando rapidamente, e particularmente em algumas especialidades como a Ortodontia, as mudanças chegam a ser perturbadoras para muitos profissionais. Isso é fruto de uma revolução tecnológica pela qual estamos passando, e que traz a reboque mudanças conceituais em um mundo que também está se reinventando. A maneira como nos comunicamos, como nos movemos, como pagamos nossas contas, pedimos comida, etc., muda a cada dia, tornando os processos cada vez mais objetivos, eficientes e agradáveis.
 
Veremos em breve o transporte autônomo tornar-se uma realidade, robôs irão aplicar e monitorar todo o processo de anestesia em centros cirúrgicos, wearables irão nos avisar quando estivermos prestes a ter um infarto ou um AVC, e também veremos a impressão de tecidos e órgãos. Tecnologias que já existem hoje prenunciam intensa transformação do mercado de trabalho e no futuro irão decretar o fim de carreiras e profissões tradicionais, abrindo a oportunidade para o aparecimento de novas atividades.
 
Permanecer na Odontologia com sucesso passa por uma imersão em um mundo totalmente digital, onde a inteligência artificial e os sistemas CAD/CAM irão fazer parte da nossa rotina. Nesse novo workflow, veremos cada vez mais a presença dos scanners que fazem a captura 3D da anatomia dos indivíduos, gerando tanto arquivos volumétricos, por meio da Tomografia Cone-beam, como arquivos de superfície com altíssima precisão e acurácia obtidos por meio do escaneamento intraoral e de face. No pós-processamento desses arquivos, estamos presenciando uma evolução sem precedentes dos softwares que utilizam computação gráfica para a geração de imagens anatômicas 3D reais e ainda permitem planejamentos virtuais (setups) e o desenho de dispositivos terapêuticos que podem ser impressos no final desse fluxo digital, tornando os tratamentos mais eficientes e confortáveis.
 
A Odontologia do futuro deverá ser mais centrada no cliente, onde o processo de decisão terapêutica continuará a ser realizado com ciência e ética, porém, com mais autonomia para esse novo consumidor, cada vez mais exigente e ansioso por resultados rápidos e obtidos da forma mais confortável e discreta possível, seguindo-se o novo Paradigma da Qualidade de Vida. Grande parte dos clientes que nos procuram são motivados por questões estéticas, que muitas vezes podem ser resolvidas de forma previsível e confortável, por meio de abordagens simplificadas com o uso de alinhadores transparentes, por exemplo, muito mais conservadoras do que o uso indiscriminado de laminados cerâmicos, por exemplo.
 
Pensando em auxiliar seus assinantes nessa nova curva de aprendizado, a Editora Plena lança um Caderno Científico dedicado ao novo universo digital da Odontologia. O Digital Dentistry in Science, ou DDS-BR como gostamos de chamar, será a princípio um caderno dentro das três publicações da Editora Plena, trazendo artigos com foco nas especialidades de Ortodontia, Cirurgia, Prótese e Radiologia. Nosso Conselho Editorial está sendo formado pelos profissionais mais capacitados nessas novas práticas, incluindo pesquisadores e clínicos com grande experiencia na utilização desses novos recursos, além de profissionais com experiência em TI, inteligência artificial, sistemas integrados, hardware e impressão 3D. Em um breve espaço de tempo, esse caderno deverá se tornar mais uma publicação independente com o selo de qualidade da Editora Plena.
 
Nesta primeira edição, trazemos dois artigos fantásticos, um sobre a utilidade dos sistemas CAD/CAM no planejamento e confecção de dispositivos interoclusais, uma antiga demanda da Odontologia, com os proeminentes colegas Hermes Pretel e Renato Martins; e outro assinado pelo Prof. Ernesto Rodrigues, que discorre sobre um novo e promissor sistema de alinhadores transparentes, hospedado em uma plataforma totalmente dedicada à Ortodontia digital com acesso a setups virtuais e colagem indireta precisa para técnicas labiais e linguais. Espero que os colegas possam desfrutar desse novo conteúdo que a Editora Plena está disponibilizando com muito esmero e cuidado, mais uma vez demonstrando seu apreço e carinho com a nossa profissão.
 
Prof. Dr. Mauricio Accorsi
Diretor Científico DDS-BR

 

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