Orthoscience: Editorial

Editoriais Orthodontic Science and Practice - Edição 44

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Um novo ano, um novo recomeço!
 
Este ano tem que ser diferente!
 
Não tenho dúvidas de que esse é o desejo de todos nós para 2019. Após um longo período de crise financeira, ética e moral em nosso país, todos anseiam por dias melhores, mais tranquilos e mais prósperos.
 
Diante dessa necessidade tão evidente de mudanças nada melhor do que um novo tempo. O início de um novo ano tem o poder de criar a magia do recomeço. Renasce em nossos corações a esperança de podermos começar tudo de novo com energias renovadas.
 
Após um balanço geral do que passou, aprendendo com os erros e celebrando as vitórias, é hora de deixarmos o passado para trás e de olharmos para frente. É o momento ideal para estabelecermos os propósitos para o ano que se inicia. Novas perspectivas, novos planos, novos sonhos. Quem sabe tirar do papel alguns projetos, sejam eles pessoais ou profissionais, e colocá-los em prática.
 
Com o novo ano, também se inicia uma nova gestão em nosso país. Independente da preferência ou ideologia política, esse recomeço também traz a expectativa de renovação e, esperamos, de dias melhores para todos.
 
Na Ortodontia, o momento também é de renovação. Estamos em plena revolução da era digital que, para muitos, representa um grande desafio e a possibilidade de um novo recomeço na especialidade.
 
Neste contexto de novas possibilidades para 2019, a esperança do novo deve ser apenas o despertar para as virtudes que precisamos desenvolver e cultivar para transformamos as expectativas em realidade.
 
Acima de tudo, precisamos de atitudes do bem em nossas vidas para catalisar um processo de renovação a partir dos pequenos gestos. Desde o respeito às regras mais simples na convivência diária até o agir corretamente mesmo quando não estamos sendo observados.
 
Também é preciso planejamento e muito trabalho. As mudanças que desejamos não acontecem por acaso ou apenas pela força do pensamento positivo. Precisam ser planejadas e conquistadas com disciplina e perseverança. Apenas esperar não é suficiente. É preciso agir com eficiência.
 
Estou convicto de que as mudanças que desejamos em 2019, nas mais diversas áreas, devem começar primeiro em nós mesmos. Que ao invés de torcermos por uma mudança possamos ser os agentes da transformação que tanto queremos. Que com nossas atitudes possamos inspirar e transformar o mundo em que vivemos.
 
Desejo a você e sua família um Feliz 2019, com muitas alegrias e realizações.

Dr. Ricardo Moresca
Diretor Científico

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Key Opinion Leaders
 
Você sabe o que significa esta sigla (KOL)?
 
O Key Opinion Leader é um médico ou dentista que trabalha para influenciar a prática clínica de seus pares. As empresas os contratam para fornecer informações sobre novos desenvolvimentos, conduzir estudos e ministrar palestras e seminários sobre o produto ao qual estão associados. Essa abordagem é difundida na Odontologia, na Medicina e na prática farmacêutica.
 
Na verdade, são palestrantes patrocinados por empresas. São clínicos que recebem pagamento por sua ajuda no desenvolvimento e promoção de produtos. Isso está aumentando muito em todo mundo, inclusive no Brasil. Provavelmente, você está sendo influenciado em sua rotina clínica sem perceber isso.
 
Recentemente, Kevin O’Brien1 voltou a discutir sobre esse assunto em seu blog. E, como o autor discorre, os profissionais deveriam colocar seu conflito de interesse quando vão fazer uma apresentação. Na verdade, quando participamos de um evento patrocinado por uma determinada empresa fica claro o conflito, e acredita-se que o profissional que está assistindo tem a exata noção desta influência. Entretanto, em congressos, muitos profissionais que são patrocinados por empresas estão fazendo palestras e não fazem menção às empresas que trabalham. Infelizmente, muitas vezes o novato não percebe o interesse comercial por trás da apresentação.
 
Isso ficou claro durante o último Congresso Brasileiro de Ortodontia, o Orto 2018-SPO. Principalmente para as palestras de alinhadores removíveis.
 
Tive a oportunidade de ver casos muito simples tratados com alinhadores e chegando a um resultado longe da excelência. Entretanto, o palestrante se esforçava em tentar passar a ideia que o tratamento foi bom e o aparelho funcionava. Também casos difíceis com resultados aceitáveis foram mostrados, mas sem um embasamento científico para justificar o resultado.
 
Nos últimos anos tive a oportunidade de fazer palestras para empresas como 3M Unitek, Orthometric e American Orthodontics. Normalmente falo sobre o tratamento da Classe II, e conto minha experiência de 20 anos sobre o assunto. Descrevo o que usei no passado, porque fui mudando a abordagem e os aparelhos, e finalizo comentando o que faço na atualidade. Sempre procurando embasar cientificamente minhas decisões. E também sem esconder os problemas que os aparelhos causam. Nesse sentido, temos uma linha de pesquisa para avaliar os problemas e tentar propor soluções2,3,4.
 
Mas o que realmente interessa? O que importa é que você passe um filtro nas informações obtidas a partir dos KOLs. E qual o melhor filtro? É a literatura científica. Não podemos aceitar uma técnica baseada apenas nas opiniões e preferências pessoais do seu idealizador.
 
Em seu próximo congresso preste mais atenção na ligação dos palestrantes com as empresas. Isso também vale para as redes sociais.
 
1. O’Brien K. Who pays the piper? An influx of Key Opinion Leaders. Kevin O’Brien. 2018 Oct 15. Disponível em: https://kevinobrienorthoblog.com/pays-piper/
2. Moro A, Janson G, Moresca R, Freitas MR, Henriques JFC. Comparative study of complications during Herbst treatment with Cantilever Bite Jumper and removable acylic splint. Dental Press J Orthod. 2011; 16(1):29.e1-7
3. Moro A, Farah LO, Etges ASJ, Borges SW, Peres RRH, Moresca R. Complicações clínicas durante o uso do aparelho de Herbst com cantilever e com splint de acrílico removível inferior. Orthod Sci Pract. 2014; 7(27):272-278.
4. Silva JFE, Gerszewski C, Moresca RC, Correr GM, Flores-Mir C, Moro A. Restrospective study of clinical complications during orthodontic treatment with either a removable mandibular acrylic splint Herbst or with a cantilever Herbst. Angle Orthod. 2015; 85(1):64-71.
 
Prof. Dr. Alexandre Moro
Editor Científico Adjunto
 

 

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