‘Botox pirata’ proibido no Brasil e utilizado por clínicas estéticas tem origem misteriosa

‘Botox pirata’ proibido no Brasil e utilizado por clínicas estéticas tem origem misteriosa

Investigação internacional do Fantástico mostra que a informação de que o produto Israderm é fabricado em Israel faz parte de uma fraude. Pacientes relataram infecções.

Por Cristine Gallisa e Giovani Grizotti, Fantástico

No mês passado, uma denúncia anônima levou a polícia e a Vigilância Sanitária do Rio Grande do Sul a uma clínica de procedimentos estéticos em Porto Alegre. A cirurgiã-dentista estaria aplicando em clientes o produto Israderm, uma suposta toxina botulínica e, como o produto é proibido no Brasil, ela foi presa em flagrante.

Como não existem informações sobre o produto, a Anvisa proibiu, em junho do ano passado, a comercialização, distribuição, fabricação, propaganda e uso dele no Brasil. O frasco diz apenas que o produto é fabricado em Israel, mas uma investigação internacional do Fantástico mostra que essa informação faz parte de uma fraude. A verdadeira origem do Israderm ainda é um mistério.

No Paraguai, a venda do Israderm é liberada. O repórter Giovani Grizotti foi até Ciudad del Este e fez imagens da venda do produto com uma câmera escondida. As vendedoras dizem que mandam os frascos pelo correio para o Brasil.

Segundo o banco de dados da Direção Nacional de Propriedade Intelectual do Paraguai, um homem chamado Tufic Mohamed El Safadí registrou o nome no país. Entramos em contato com ele por aplicativo de mensagem e perguntamos onde é fabricado o Israderm. Ele não informou: disse apenas que é revendedor e que compra o produto no mercado interno. Quando questionado por que registrou um nome que é igual ao de uma empresa de Israel com a qual ele não tem contrato, Toufic parou de responder às nossas perguntas e não atendeu as nossas chamadas.

Em dezembro do ano passado, o dono de uma clínica de procedimentos estéticos em São Paulo fez um alerta na internet contra o Israderm e disse que pacientes desavisados são atraídos pelo preço mais baixo que o de toxinas devidamente registradas e aprovadas.

Um cirurgião plástico de Foz do Iguaçu, no Paraná, afirma que tratou de pacientes que disseram ter usado o produto e tiveram infecções. Ele alerta: “A gente já viu necroses de perdas do nariz e outras áreas da face devido esse tipo de complicação”.

Fonte: O Globo

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