Usuários de drogas têm mais problemas de saúde bucal e menos acesso ao tratamento

Publicado em 29/10/2017 00:00

Estudos confirmam que usuários de drogas são mais suscetíveis a problemas bucais, como cárie, gengivite, hipersensibilidade e formação de abcessos, do que a maioria das pessoas. Matéria publicada no jornal britânico Addiction demonstra que justamente esses pacientes têm menos acesso ao tratamento dentário. A constatação preocupa a classe de cirurgiões-dentistas, na medida em que o número global de usuários de drogas aumenta em três milhões de usuários por ano.
 
De acordo com o cirurgião-dentista Fernando Baeder, membro da APCD – Associação Paulista de Cirurgiões-Dentistas, as drogas afetam a saúde bucal de várias formas. “O contato direto dos dentes com a cocaína e o crack com o tempo acaba resultando em erosão dental, enfraquecendo o esmalte e expondo a dentina (parte viva do dente) – o que provoca bastante dor, do tipo que se sente em “choques” ao contato com o ar e líquidos quentes ou frios. Mas as drogas também podem reduzir a produção de saliva, resultando na síndrome da boca seca, aumentar o impulso por alimentos com baixo ou nenhum valor nutricional (salgadinhos, por exemplo), bruxismo, aumento do consumo de açúcar e muito mais”.
 
Duarte cita o estilo de vida dos usuários frequentes de drogas como outro fator que impacta a saúde bucal. “O usuário contumaz, viciado pesado, geralmente atravessa uma fase de baixa autoestima, não cultiva hábitos adequados de higienização bucal e tampouco recorre a tratamentos odontológicos regulares. A cocaína, quando aplicada diretamente sobre a mucosa bucal, por exemplo, com o passar do tempo provoca ulcerações e inflamação gengival grave associada a dor intensa. Há casos em que ocorre inclusive a necrose do tecido gengival, formando uma película branca sobre a ferida. Mas a falta de escovação pode resultar em problemas ainda mais sérios, em decorrência da proliferação desenfreada das bactérias na boca – o que faz com que elas migrem para a corrente sanguínea e desencadeiem outras doenças graves, inclusive cardiopatias e doenças respiratórias”.
 
De acordo com o cirurgião-dentista, os usuários de crack – subproduto da cocaína – podem sofrer lesões na mucosa bucal desde o contato direto com a fumaça. Além disso, o crack pode destruir o esmalte dos dentes, provocar lesões na língua e garganta. “Mas não são somente as drogas ilícitas que comprometem a saúde bucal dos usuários. O cigarro, que ainda é bastante consumido no Brasil, apesar das inúmeras campanhas antitabagistas, tem um papel importante na doença periodontal, enfraquecendo o tecido gengival e comprometendo sua revascularização. Vale a pena observar, também, que o fumante geralmente carece de uma higienização bucal mais efetiva. Normalmente, após as refeições, ao invés de escovar os dentes ele acende um cigarro. Trata-se de um hábito comum e largamente disseminado. Com o tempo, além de aumentar o risco de lesões de cárie e infecções bucais, o fumante também passa a apresentar dentes manchados, desalinhados e enfraquecidos”.
 
 
 
Fonte: Segs
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